Nova máquina da fabricante finlandesa estreia no Brasil e será avaliada em operações no Sul; equipamento combina preparo do solo, plantio, irrigação e compactação

A mecanização transformou a colheita florestal nas últimas décadas, com máquinas capazes de cortar, processar e transportar madeira com maior produtividade e controle. Agora, a tecnologia começa a avançar sobre outra etapa do ciclo florestal: o plantio.
Apresentada ao mercado durante a Lignum Latin America 2026, em Curitiba (PR), a Ponsse Buffalo Planter marca a entrada da fabricante finlandesa no segmento de plantio mecanizado. A solução é baseada na plataforma do forwarder Ponsse Buffalo e foi desenvolvida para realizar diferentes etapas da implantação florestal com uma única máquina.
A Timber Forest, divisão florestal do Grupo Timber e representante oficial da Ponsse no Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, passa a incorporar a tecnologia à sua atuação, que até então estava concentrada principalmente nas operações de colheita e transporte.
“A Buffalo Planter representa um avanço importante para a mecanização do plantio. A partir de agora, nosso papel é colocar essa tecnologia nas condições reais da região Sul, entender as particularidades de cada operação e identificar os ajustes necessários para extrair o melhor desempenho da solução. É um conhecimento de aplicação que construímos em campo, junto aos clientes e em interação permanente com a Ponsse, para adequar a tecnologia às diferentes realidades das operações florestais”, afirma Patrick Chiabotto, gerente comercial da Timber Forest.
Como funciona a Ponsse Buffalo Planter
A Buffalo Planter utiliza a plataforma do forwarder Buffalo e conta com quatro unidades independentes de coveamento e plantio, sendo duas de cada lado da máquina.
Cada unidade possui dois cabeçotes. Um deles é responsável pelo preparo localizado do solo, enquanto o segundo realiza as etapas de plantio, irrigação e compactação. Todo o processo é controlado eletronicamente e acompanhado pelo operador.
A máquina tem capacidade para transportar até 960 mudas por carga, sendo 240 em cada unidade. Segundo a Ponsse, a produtividade aproximada chega a 750 mudas por hora quando há preparo do solo e a 1.300 mudas por hora sem essa etapa.
O ciclo completo de preparo e plantio leva aproximadamente 75 minutos. Depois desse período, são necessários cerca de 15 minutos para a reposição das mudas. Os cassetes são movimentados utilizando a própria grua da máquina.
O sistema de irrigação pode receber, opcionalmente, até 4.800 litros de água ou hidrogel, distribuídos em quatro tanques. A aplicação pode ser regulada entre zero e seis litros por muda.
Água e fertilizantes são aplicados de forma localizada, diretamente na região da muda. O sistema também realiza o preparo do solo apenas nos pontos necessários. O coveamento pode alcançar 600 mm de profundidade e 400 mm de diâmetro.
O espaçamento longitudinal entre as mudas pode ser ajustado entre 2.100 e 2.500 mm, enquanto o espaçamento lateral é de 3.500 mm. A precisão especificada para a distância entre mudas é de 80 mm.
A proposta é manter parâmetros uniformes de profundidade, posicionamento, compactação, contato com o solo, irrigação e espaçamento durante a operação.
Tecnologia embarcada
O operador acompanha o trabalho a partir da cabine. Câmeras direcionadas para as unidades de plantio permitem visualizar a operação próxima ao nível do solo.
A interface eletrônica reúne informações relacionadas ao plantio e ao espaçamento entre as mudas. O sistema também possui funções destinadas à reposição dos cassetes, manutenção, automação e geração de relatórios.
A tecnologia permite, dessa forma, acompanhar os principais parâmetros da operação durante o trabalho em campo.

Brasil concentra mercado potencial
A América do Sul está entre os mercados considerados pela Ponsse para a primeira fase de aplicação da Buffalo Planter. A região possui extensas áreas de florestas plantadas, o que cria condições para o uso de soluções de mecanização no plantio.
De acordo com a Indústria Brasileira de Árvores (Ibá), o Brasil possui 10,5 milhões de hectares de árvores plantadas.
No Sul, área de atuação da Timber Forest com a Ponsse, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul somam 3,2 milhões de hectares de florestas plantadas. Segundo a Associação Sul Brasileira de Empresas Florestais (ASBR), os três estados concentram 89% da área nacional dedicada ao cultivo de pinus.
Buffalo Planter será avaliada em campo
Depois da apresentação na Lignum Latin America 2026, a Timber Forest inicia uma nova fase de avaliação da tecnologia. Três empresas já estão mapeadas para receber o equipamento em operações reais na região Sul.
O desempenho da Buffalo Planter será acompanhado pelo corpo técnico da Timber Forest, com análise de indicadores como produtividade, consumo, qualidade do plantio, espaçamento e comportamento em diferentes condições de solo e terreno.
A avaliação será realizada pelos times de engenharia e vendas da empresa em conjunto com os clientes e a Ponsse. O objetivo é verificar como a máquina se comporta nas diferentes condições encontradas nas operações florestais da região e ampliar o conhecimento sobre sua aplicação.
As características de cada área podem alterar diretamente as condições de trabalho. Solo, relevo, espaçamento e regime operacional, entre outros fatores, podem exigir diferentes configurações e ajustes do equipamento.
A Timber Forest já utiliza esse conhecimento regional na linha de máquinas Ponsse comercializada no Sul. A atuação inclui a definição das configurações dos equipamentos para o mercado brasileiro, ajustes hidráulicos e eletrônicos, acompanhamento técnico em campo e interação com a fabricante para o desenvolvimento de melhorias.
“Estamos diante de uma tecnologia que ainda tem muito espaço para evoluir, e isso torna esse momento especialmente importante. A mecanização da colheita mostrou o quanto a tecnologia pode transformar uma operação florestal. O plantio começa agora a percorrer um novo caminho, e queremos participar desse desenvolvimento próximos dos nossos clientes e levando para a Ponsse o conhecimento das condições reais do mercado em que atuamos”, conclui Chiabotto.









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