Centro Técnico Brasil, em Guarulhos (SP), ampliou sua estrutura e passou a atuar em programas de desenvolvimento, certificação e homologação para diferentes mercados

A Cummins completa quatro décadas de atuação de seus laboratórios de desenvolvimento e validação de motores no Brasil. Criada em 1986, a estrutura localizada em Guarulhos (SP) passou por uma série de transformações e atualmente funciona como Centro Técnico Brasil, ou BTC (Brazil Technical Center).
Ao longo desse período, a unidade acompanhou a evolução dos motores e dos processos de engenharia, deixando para trás equipamentos e métodos predominantemente analógicos para incorporar sistemas digitais de aquisição de dados, instrumentação de alta precisão e estruturas destinadas aos mais recentes requisitos de emissões.
Nos primeiros anos, a instalação de um motor em bancada podia consumir praticamente um dia inteiro, enquanto boa parte das medições era realizada manualmente. Na análise de emissões, a opacidade da fumaça estava entre os principais parâmetros avaliados.
Marcelo Júlio Hernandes, operador de Dinamômetro Especialista Sr., acompanhou essa transformação durante seus 40 anos de Cummins. Sua trajetória inclui a transição dos processos analógicos para os sistemas digitais e o aumento da capacidade de análise à medida que os motores passaram a incorporar novas tecnologias.
Atualmente, o BTC desenvolve, valida e apoia a certificação de tecnologias destinadas às aplicações rodoviárias, fora de estrada, geração de energia e outras aplicações industriais. A unidade também participa de programas relacionados a diferentes ciclos regulatórios e à transição energética.
“O Centro Técnico sempre esteve alguns anos à frente dos produtos que chegam ao mercado. Antes que um novo motor entre em produção, ele já passou por milhares de horas de desenvolvimento e validação aqui. Nossa missão sempre foi antecipar desafios e garantir que cada tecnologia esteja preparada para enfrentar as condições reais de operação”, afirma Raphael Lomonaco, líder do BTC da Cummins.
Centro técnico ampliou atuação
A evolução tecnológica dos motores também aumentou a complexidade dos trabalhos realizados no laboratório. A introdução da eletrônica embarcada, dos sistemas de controle de emissões, do pós-tratamento e da conectividade exigiu novos equipamentos, maior capacidade de análise e metodologias capazes de reproduzir diferentes condições de operação.
Hoje, o BTC participa do desenvolvimento de novos produtos, validação de componentes, definição de calibrações, nacionalização de sistemas e desenvolvimento de metodologias utilizadas em programas globais da Cummins.
A estrutura também passou a funcionar como ambiente de formação de profissionais. Paulo Macena, mecânico de Motores Especialista Sr. e há 36 anos na Cummins, define o laboratório como uma “faculdade na prática”, em referência ao aprendizado construído diariamente por meio da experimentação e da análise técnica.
As características das operações realizadas na América Latina também contribuíram para a evolução dos trabalhos. Diferenças de altitude, topografia, clima, qualidade dos combustíveis, longas distâncias, sobrecarga e diferentes perfis de utilização exigiram procedimentos específicos de validação.
Esse conhecimento passou a ser incorporado a programas internacionais da Cummins.

Estrutura preparada para diferentes legislações
A evolução das legislações ambientais também levou à modernização dos laboratórios. O BTC incorporou analisadores de gases de alta precisão, sistemas de medição de material particulado, dinamômetros transientes, salas climatizadas e equipamentos destinados a ensaios de emissões em condições reais de operação.
Atualmente, o centro reúne competências para projetos destinados às legislações Euro III, Euro V e Euro VI, além de contar com certificações internacionais R49.06, R85.05 e R24.05 junto à Vehicle Certification Agency (VCA), do Reino Unido.
O VCA também reconheceu o centro como aderente aos requisitos da ISO 17025. Segundo a Cummins, o BTC foi a primeira unidade técnica da empresa no mundo a obter esse reconhecimento em conjunto com a autoridade britânica.
A estrutura ainda atende aos requisitos da ISO 17034, voltados à rastreabilidade, repetibilidade e confiabilidade dos resultados produzidos.
O centro também foi preparado para realizar ensaios de acordo com requisitos das legislações norte-americanas EPA (Environmental Protection Agency) e CARB (California Air Resources Board). A adequação envolveu investimentos em infraestrutura, atualização de equipamentos, desenvolvimento de metodologias e qualificação das equipes.
Mais de 18 mil ensaios entre 2020 e 2026
A ampliação da estrutura também elevou o volume de atividades realizadas pelo Centro Técnico Brasil. Entre 2020 e 2026, foram contabilizados mais de 18,4 mil ensaios relacionados ao desenvolvimento, homologação, certificação, auditorias e programas de Conformidade de Produção.
Entre 2021 e 2025, o volume anual de ensaios cresceu aproximadamente 300%, segundo a Cummins. O aumento está relacionado à ampliação da infraestrutura e da participação do BTC em programas destinados ao Brasil e a outros mercados da América Latina.
Do total de ensaios realizados, 48% estiveram relacionados às exigências do Proconve, enquanto 43% atenderam às legislações Euro III, Euro V e Euro VI adotadas por diferentes mercados latino-americanos.
O trabalho também envolve a conexão entre o desenvolvimento realizado no laboratório e a produção em série. Valdeci Nascimento, engenheiro da Qualidade Sr., iniciou sua trajetória na empresa como aprendiz e soma 41 anos de Cummins.
“O trabalho não termina quando o teste acaba. O que aprendemos no desenvolvimento precisa chegar à produção de forma consistente para que o produto entregue, na aplicação, aquilo que foi validado pela engenharia. Acompanhar esse caminho, do laboratório até a produção em série, também mostra como o Centro Técnico passou a ter um papel cada vez mais integrado dentro da Cummins”, afirma Valdeci.
Investimentos de US$ 6,2 milhões
Nos últimos cinco anos, aproximadamente US$ 6,2 milhões foram investidos na modernização do Centro Técnico Brasil.
Os recursos foram destinados à aquisição de equipamentos laboratoriais, aumento da capacidade de ensaios, adequação às novas legislações, projetos ambientais, segurança operacional, digitalização e preparação para futuras demandas regulatórias.
A estrutura atual é formada pelo Centro Piloto, responsável pela validação de motores instalados em veículos e máquinas completos; pelo Laboratório de Mecânica Aplicada, dedicado a ensaios estruturais, fadiga, durabilidade, vibração e ruído (NVH); e pelo Laboratório de Desenvolvimento de Motores, onde são realizados ensaios de desempenho, consumo, emissões, certificação e homologação.
Os laboratórios conseguem reproduzir condições severas de utilização, incluindo simulações equivalentes a 5.200 metros de altitude e temperaturas de até -22 °C.
A digitalização também passou a fazer parte dos processos laboratoriais. Sistemas de automação para análise de dados e monitoramento dos ensaios fornecem informações em tempo real, auxiliam na manutenção e contribuem para reduzir desperdícios.
BTC incorpora soluções de eficiência energética
A modernização do Centro Técnico também contempla medidas relacionadas à eficiência energética e ao consumo de recursos.
Uma das iniciativas foi a substituição do sistema de geração de água gelada utilizado no Laboratório de Desenvolvimento de Motores. De acordo com a Cummins, a atualização proporcionou redução de 91% no consumo de energia desse sistema.
O centro também recebeu uma usina solar fotovoltaica formada por 104 painéis, com geração estimada em aproximadamente 61 MWh por ano. A energia produzida é consumida integralmente pela própria unidade.
Outra iniciativa foi a instalação de dinamômetros regenerativos em quatro salas de testes. Durante os ensaios, os equipamentos recuperam parte da energia gerada pelos motores e a devolvem ao sistema elétrico da unidade.
A Cummins também desenvolve um projeto para substituir o atual sistema de resfriamento por uma tecnologia com menor necessidade de evaporação de água. A estimativa é de redução de até 70% no consumo hídrico do processo.
Ao completar 40 anos, o Centro Técnico Brasil reúne parte do conhecimento acumulado pela engenharia da Cummins no país. A evolução da estrutura acompanhou as mudanças dos motores, das legislações e dos processos de desenvolvimento, enquanto a experiência adquirida pelas equipes passou a integrar os programas realizados pela unidade.
“Equipamentos podem ser adquiridos e laboratórios podem ser modernizados. O conhecimento necessário para interpretar resultados, compreender o comportamento de um motor e transformar essas informações em engenharia é construído pelas pessoas ao longo do tempo. Essa experiência é o que permite ao BTC continuar evoluindo”, finaliza Lomonaco.









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